08 MAI 2026

CNPq aprova projeto do FarmaFittos para uso seguro de plantas medicinais e fitoterápicos integrado ao SUS

Parceria entre Cáritas da Arquidiocese de Santarém e Ufopa fortalece iniciativa de Farmácia Viva na Amazônia.

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Prof. Wilson Sabino no horto localizado no Centro de Formação Emaús. Foto: Aritana Aguiar


O projeto “Farmácia Viva Amazônica: uso seguro de plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos integrado ao SUS no Baixo Amazonas” foi aprovado na Chamada PPSUS-Inovação 2025, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Arquidiocese de Santarém, por meio da Cáritas, integra a articulação institucional da proposta, coordenada pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

Este projeto faz parte do programa FarmaFittos e está entre os 74 aprovados em todo o país, em um universo de aproximadamente mil propostas submetidas. A iniciativa busca desenvolver estratégias territorializadas de cuidado em saúde voltadas às populações amazônicas.

Com vigência até 2028 e investimento federal de aproximadamente R$ 250 mil, o projeto pretende fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) na Amazônia por meio de soluções sustentáveis e culturalmente integradas. A proposta articula saberes tradicionais, assistência farmacêutica, Atenção Primária à Saúde (APS) e produção científica, com foco no cuidado integral de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas do Baixo Amazonas.

O coordenador do FarmaFittos, professor Dr. Wilson Sabino, da Ufopa, explica a destinação dos recursos aprovados.

“Parte dos recursos será destinada ao financiamento de bolsas para pessoas que atuam no projeto. Outra parte auxiliará na compra de insumos e equipamentos necessários ao FarmaFittos, como uma nova estufa para acelerar o processo de produção da droga vegetal, ou seja, da planta seca, fortalecendo a parceria e o encaminhamento junto ao SUS”.

Segundo o professor, a aprovação representa uma oportunidade importante para Santarém e para as instituições envolvidas, entre elas a Cáritas da Arquidiocese, a Ufopa, as Irmãs Franciscana de Maristella, a Custódia São Benedito da Amazônia, o Ministério Público do Pará, por meio do Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial - NIERAC, e a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA).

A parceria entre a Ufopa e a Arquidiocese de Santarém, ocorre através de ações comunitárias, apoio territorial e fortalecimento do horto de plantas medicinais mantido no Centro de Formação Emaús, que pertence à Arquidiocese.

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Inês Henn (blusa verde à direita) explica sobre as plantas cultivadas em Emaús para visitantes. Foto: Aritana Aguiar


Inês Henn, é agente da Cáritas responsável pelo horto de plantas medicinais localizado em Emaús. Ela explica como funciona o trabalho desenvolvido no espaço.

“De duas a três vezes por semana, contamos com uma equipe de alunos da Ufopa, agentes voluntários da Cáritas, das Irmãs Franciscanas de Maristella e parceiros que realizam os trabalhos no local. As atividades incluem o plantio, o preparo do solo, a manutenção dos canteiros, limpeza, poda, combate a pragas e a irrigação adequada para cada tipo de planta. Além disso, acompanhamos a entrada e a saída de mudas do viveiro. Possuímos dezesseis espécies de plantas em Emaús, que são nossas matrizes; algumas já estão sendo amplamente utilizadas, enquanto outras são mantidas para que, posteriormente, possam ser multiplicadas”.

Segundo Inês, o horto está atualmente no processo de secagem para a produção de droga vegetal (planta seca) das seguintes espécies: Lippia alba, conhecida como cidreira; Alternanthera brasiliana, popularmente chamada de penicilina; Justicia pectoralis, conhecida como anador ou chambá; e Passiflora incarnata, conhecida por maracujá.

Essas plantas já estão em processo de secagem e já há alguns lotes prontos. Posteriormente, esse material será encaminhado ao SUS na forma de droga vegetal.

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Início do processo de secagem da planta Lippia alba, conhecida como cidreira, em Emaús. Foto: FarmaFittos


Valorização do conhecimento

Inês Henn demonstra a preocupação com a transmissão dos saberes tradicionais nas comunidades da região amazônica.

“Valorizar esse conhecimento é importante para aproveitar o potencial da diversidade de plantas existente na Amazônia e evitar que os saberes tradicionais das comunidades se percam. Atualmente, esse conhecimento vem desaparecendo, pois a transmissão entre gerações já não ocorre com a mesma frequência. Devido à falta desse repasse de saberes, muitas comunidades acabam deixando de valorizar os próprios recursos que possuem. Sabemos que a região amazônica possui um potencial imenso e uma diversidade botânica riquíssima”.

Convênios

Outro convênio firmado entre SEMSA, Ufopa e Arquidiocese de Santarém, prevê cooperação técnica voltada à mobilização social, promoção da fitoterapia como estratégia de cuidado integral e articulação com escolas, pastorais e comunidades.

Além da produção e beneficiamento de espécies medicinais, o projeto inclui ações educativas, formação de profissionais do SUS, elaboração de protocolos terapêuticos e fortalecimento de práticas de cuidado adequadas à realidade amazônica.

A proposta também dialoga com princípios de valorização da vida, cuidado com os territórios e promoção da dignidade humana, reconhecendo os conhecimentos tradicionais das populações amazônicas como parte fundamental das estratégias de saúde comunitária.

Segundo o professor Wilson Sabino, a participação da Arquidiocese, por meio da Cáritas e das Irmãs Franciscanas de Maristella, fortalece a dimensão humana, social e territorial da iniciativa.

“A construção do cuidado em saúde na Amazônia exige diálogo com as comunidades, respeito aos saberes tradicionais e compromisso com a vida. A presença da Igreja Local de Santarém fortalece justamente essa dimensão comunitária e solidária do projeto”, destaca.

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Equipe do programa FarmaFittos no horto em Emaús. Foto: Aritana Aguiar


FarmaFittos

O programa FarmaFittos é resultado de uma parceria entre Ufopa, Arquidiocese de Santarém, por meio da Cáritas, e as Irmãs Franciscanas de Maristella. Durante a pandemia da covid-19, a Cáritas e as Irmãs procuraram a universidade após identificar o aumento de casos de insônia e ansiedade na população. Com recursos vindos da Alemanha, foram produzidos medicamentos fitoterápicos à base de Passiflora spp. A partir dessa experiência, o trabalho foi ampliado e deu origem ao FarmaFittos.

Atualmente, a iniciativa também conta com a parceria do NIERAC, do Ministério Público do Pará (MPPA), da Custódia Franciscana São Benedito da Amazônia e do Projeto Saúde Alegria. 

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Equipe do programa FarmaFittos no processo de secagem. Foto: FarmaFittos


Texto: FarmaFittos e Ascom Arquidiocese

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